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The Rocket eBook®

“... o futuro é uma astronave que tentamos pilotar...”.

Toquinho, em Aquarela

 

Este FanZine Eletrônico é dedicado inteiramente ao livro eletrônico mais conhecido na Internet, o pequeno e grande Rocket eBook.

 

Quando foi lançado em 1998 pela NuvoMedia Inc., o Rocket trazia em sua estante virtual [ bookshelf ], uma versão eletrônica do clássico “Alice no País das Maravilhas”.

 

A aventura de Alice foi lançada em 1865 pelo inglês Charles Lutwidge Dogson, ou simplesmente Lewis Carroll [ 1832-1898 ]. Traduzido para mais de 30 línguas, incluindo o árabe e o chinês, Alice já tinha ganhado até uma edição em braile. Creio que não tenha sido à toa que os idealizadores do Rocket a tenham escolhido para estrear uma edição virtual no eBook.

 

O livro de Carroll narra as aventuras de uma garota que, depois de correr atrás de um coelho vai parar num mundo de faz-de-conta. E o Rocket, dá a impressão de ter vindo direto deste mundo.

 

The Rocket eBook® 1º Geração

Rocket eBook 1º Geração

 

O aparelhozinho revolucionou o conceito de livro. Trouxe os livros eletrônicos à ordem do dia, e construiu uma nova forma de existir dos textos literários. Além de guardar as fontes, ilustrações e layouts de documentos de uma forma segura em arquivos minúsculos, ajudou a disseminar uma idéia e vantagem que todos os amantes lúdicos de livros esperavam dos eBooks, o de poder leva-los a qualquer lugar que fosse, sem precisar ficar mais preso à tela do computador de mesa.

 

Sempre gostei de videogames e, embora o mercado trouxesse os mais avançados consoles e periféricos para jogos eletrônicos [ e os games evoluindo sempre mais ], nunca me desfiz do meu Atari 2600. Me chamem de saudosista, mas sempre o guardei comigo mesmo depois de ter comprado o Nintendo 64. Existe uma razão bem simples para este meu fascínio: o Atari, tão famoso na década de 1980 [ quem não teve um? ], foi base para instalar uma lógica para a produção em série de jogos eletrônicos. A indústria de videogames não seria a mesma sem o Atari 2600.

 

O Atari, que foi sinônimo de videogame por um longo tempo [ até 1989 eram produzidos jogos para sua plataforma ], introduziu o uso doméstico de games no público geral, dando origem a uma importante indústria de entretenimento. E eu penso que o Rocket poderia ser comparado ao Atari, neste sentido.

 

Como? Vamos pegar como exemplo, um game que é um verdadeiro clássico da cultura pop: o Enduro. Este game, nada mais era que um carrinho, relativamente estático, que só se movia para a direita e para a esquerda, e que se desvencilhava de outros carrinhos que apareciam na tela, numa pista de três vias. O jogo, basicamente, era o tempo todo assim. O que mudavam eram somente as cenas que apareciam no fundo da tela.

 

Esta lógica simples, mas inteligente e criativa, é usada até hoje nos enredos dos games de corrida. É claro que hoje os carrinhos buzinam, se espatifam, é possível escolher o seu motor, cor, modelo, até optar entre o câmbio automático ou manual etc., porém, quem joga videogame sabe, a forma como o game é desenvolvido por engenheiros, seja da Sega ou da Nintendo Intertainment System [ NES ], está lá: umas cenas que passam e mudam variavelmente, e um carrinho tentando não bater nos outros para ganhar a corrida.

 

Fazendo uma analogia, era preciso criar um mecanismo de lógica para a produção de eBooks, dentro de um conceito de ambiente gráfico. E o Rocket fez as grandes empresas, que estavam tentando o tempo todo desenvolver protótipos de livros eletrônicos, pensarem.

 


Lectrice [ ou VirtualBook ], GlassBook, 

XLibris e o EveryBook Dedicated Reader:

Lectrice ou VirtualBook             Protótipo GlassBook  

    XLibris                  

Protótipos de dispositivos eletrônicos dedicados à leitura que simplesmente falharam. Em partes porque seus idealizadores estiveram o tempo todo preocupados em mimetizar o livro de papel.

               


 

Hoje, o que seria um eBook? Um dispositivo portátil eletrônico, com tela plana de cristal líquido colorida [ LCD ], sensível ao toque de uma caneta. Com controle de luminosidade ajustável para prevenir canseira nos olhos e problemas de saúde dessa ordem. Com um “sistema operacional” interno que absorvesse e suportasse um browser daí o Reader, “Leitor” em inglês que enxergasse, tal como o navegadores Internet Explorer, Netscape ou Opera, os textos inteligentes ou hipertextos. Igualzinho a Internet. Teríamos então, um computador pequeno, de bolso. Tal qual é o eBookMan da Franklin. No entanto, para se chegar a uma idéia concebida do que seria uma eBook hoje, começou-se usando as bases de existência do Rocket eBook.

 

Mas tudo isso acontece de uma forma muito rápida, num intervalo de tempo bem menor do que aquele levado entre o aparecimento de computadores de oito bits, a disseminação do Atari 2600 e o mega lançamento do PlayStation II ou do XBox.

 

Em partes por causa da antiga Reserva de Mercado, a grande vantagem de se ter, naquela época, um videogame Atari, era o de poder trocar com os amigos os games. Exatamente porque o Atari era um videogame que todos tinham, várias empresas o licenciaram e os cartuchos [ uma placa de circuito integrado onde eram gravados os jogos através das ROM’s Read Only Memory ], eram compatíveis com todo o sistema, porque de certa forma também era um dos únicos sistemas no mercado. Todos poderiam trocar idéias e dicas sobre os jogos [ que todos conheciam ]. 

 

Isto não foi pensado nos eBooks quando nasceram: os livros eletrônicos eram desenvolvidos num formato incompatível com os de outros modelos de eBooks. Então um livro digital do Jô Soares, por exemplo, desenvolvido pela editora virtual X, que usa o modelo de eBook X para leitura em mãos, não poderia ser lido num aparelho de eBook Y, porque eles eram aparelhos cujos formatos eram incompatíveis. Isso mudaria depois, com a chegada, em setembro de 1999, da Especificação Open eBook [ OeB ], que criaria um formato universal de software para todos os eBooks. 

 

Ainda assim, o Rocket eBook, quando nasceu, desenhou uma lógica para a produção de livros eletrônicos [ e agora eu vou exagerar ] tal qual a lógica para a produção de carros de Henry Ford. No sentido mais restrito, da massificação deste tipo de produto. Os comunistas que me perdoem, mas diferente da Revolução Industrial, a Revolução dos eBooks, poderia, desta vez, transformar o mundo, para melhor. Porque agora não se tratava mais de produto de consumo supérfluo, mas de Literatura, geração e distribuição de conteúdo, democratização do Conhecimento.

 

O Rocket eBook, agora com na sua 2º geração [ chamado ReB 1100 ] , poderia até ser um objeto saído das aventuras de Alice no País das Maravilhas, mas sua tecnologia é tangível, existe e está nosso meio. No primeira versão, do tamanho de um livro de papel, ele media 19 centímetros de altura por 12 centímetros de largura e pesava apenas 650 gramas. Era capaz de armazenar até quatro mil páginas de textos e imagens, o que significava 12 romances médios guardados em sua memória.

 

E tudo o que se construir e elaborar em termos de eBooks apartir daí, teria no mínimo as ferramentas que o Rocket oferecia. Se não, vejamos, o Rocket eBook da primeira 1º geração trazia:

 

  • Acesso às livrarias e bibliotecas virtuais, com a possibilidade de aquisição de obras gratuitas, impensado no modo real: mais de 2.000 títulos grátis  e mais milhares de best-sellers e clássicos antes esgotados.

  • Possibilidade de criação de biblioteca pessoal com o RocketLibrarian;

  • Capacidade de armazenar até 4.000 páginas de texto e gráficos.

  • O leitor podia publicar sua própria RocketEdition, importando documentos pessoais e da Internet, usando o RocketWriter;

  • Marcadores de página e busca rápida dessas marcações;

  • Tamanho de um livro de papel: 5 " x 7½ " x 1½;

  • Compatível com níveis de segurança [ encripturação ] exigido pelos detentores de conteúdo;

  • Luminosidade ajustável: equipado com um backlight que o deixa ajusta a intensidade, assim pode-se ler em qualquer lugar;

  • Baterias duradouras: de  20 a 40 horas;

  • Busca por palavras e frases nos textos;

  • Alteração de fonte, para melhor leitura;

  • Capacidade de armazenamento grande;

  • Ferramenta para sublinhar trechos;

  • Memória expansível até 32 MB;

  • Compatível com PCs e MACs;

  • Base giratória [ orientação ];

  • Dicionário relacionado;

  • Peso mínimo: 22oz;

  • Notas de margens;

Sem exagero, graças a intenção do Rocket eBook, as crianças do futuro teriam acesso à bibliotecas do tamanho daquela de Alexandria.

 


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