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A Revolução dos eBooks

Questões cruciais

 

Tudo acontece num momento em que o preço do livro no Brasil é muito alto. E há uma pergunta no estilo “o ovo e a galinha” que não quer cessar: o livro é caro porque vende pouco, ou vende pouco porque é caro? A culpa pelo livro ser caro é do papel ou da distribuição?

 

Parece que dezenas de perguntas deste tipo ainda não foram respondidas. A este cenário junta-se um novo componente que torna o mercado editorial ainda mais quente: a Internet.

 

A rede mundial de computadores e a WWW, seu mais conhecido e difundido serviço, juntas revolucionaram o livro.

 

No início da década de 80, os microcomputadores ainda eram grandes, desajeitados e orientados a caractere. Para que o usuário obtivesse uma resposta de processamento de informações da máquina, ele tinha que digitar um comando no prompt. Segundos depois, a máquina devolvia o resultado processado numa tela monocromática onde os caracteres apareciam literalmente verdes. A tecnologia evoluiu, os computadores ficaram menores, e a entrada de dados para que as máquinas processem as informações podem ser acionadas com um único clique. É a chamada orientação a objeto. Mesmo antes de a Microsoft lançar um ambiente gráfico para o seu sistema operacional, os computadores MAC já tinha seu sistema operacional orientado a objeto, que trabalhava com esquema de janelas.

 

A este esquema uniu-se a imagens (estática ou em movimento), o som e o texto. Ambos fizeram uma combinação antes só imaginada, fazendo nascer a multimídia. Como o próprio nome propõe, uma junção de várias mídias. Isto possibilitou um avanço extraordinário no mundo da comunicação e do entretenimento.

 

A educação não deixou de receber influência desta tecnologia. Muitos professores de história utilizaram-se de títulos multimídia para ilustrar suas aulas e seus pensamentos. Softwares como, por exemplo, o MS Encarta foram usados para discutir vários assuntos da história da humanidade, nos colégios e dentro de seus laboratórios.

 

No entanto, durante as duas últimas décadas, os livros continuaram com o seu formato tradicional. Formato este que atravessou um milênio e ajudou a preservar todo nossa história, inclusive nosso pensamento sobre as máquinas. Hoje, o livro sofre uma transformação, não uma mutação, mas uma mudança considerável.

 

Há algum tempo, o livro vinha sofrendo interferências no modo de ser e de se mostrar ao leitor. Muito de sua mudança física já vinha se configurando com o avanço das tecnologias de impressão e diagramação de páginas. Hoje, vemos o livro mudar de suporte ou mídia, e transformar-se em um novo corpo. Em 1998, quando foi lançado o Rocket eBook®, o livro não morreu. Em 2005, quando for lançada a terceira geração de eBooks o livro não morrerá.

 

Pesquisando na Enciclopédia Eletrônica Microsoft Encarta e no Minidicionário de Língua Portuguesa Melhoramentos, vemos alguns conceitos sobre o livro:

 

  • O livro é uma publicação que reúne páginas impressas.

 

Sobre isso, lembramos que a própria noção para a palavra “impressão” também mudará em breve, quando for lançada a tinta eletrônica (e-ink) e forem desenvolvidos alguns trabalhos utilizando-se dessa tecnologia. Mesmo o livro, antes de ser impresso, ele é composto em softwares de diagramação, como o PageMaker, o Ventura Publisher ou o Quark. Num primeiro instante, por tanto, ele é eletrônico.

 

  • Livro é uma obra literária, científica ou artística que compõem, em regra um volume.

 

Durante a década 1970, na implementação da ARPANET (a mãe da Internet), as universidades do mundo inteiro vinham trocando grandes volumes de trabalhos científicos que compunham livros, via rede. Estes trabalhos eram, em síntese, documentos eletrônicos e não deixavam de compor um livro só porque estavam viajando pelas vias etéreas.

 

  • Um livro é uma publicação não periódica contendo, no mínimo 49 páginas, excluídas as capas.

 

Muitas vezes, um professor pede para seus alunos tomarem nota e estudarem a página x de um livro. Às vezes, estamos com uma edição diferente daquela do professor, então, temos que procurar pelo assunto proposto e não mais pela página pedida. Com o livro eletrônico acontecerá o mesmo. Obras com edições diferentes, ou lidos em dispositivos diferentes, trarão seus textos em páginas bem distintas daquela do colega. As e-Editoras poderão pensar em como fazer para que seus leitores recebam os originais de uma versão de um mesmo arquivo. Mas se eles forem lidos em eBooks diferentes, mesmo obedecendo a especificação OeB, ficarão diferentes.

 

Obras lidas no micro, no formato PDF, ainda trazem a numeração da página, mas obras lidas, por exemplo, no Rocket eBook ou no MS Reader, não. Trazem apenas os links para os capítulos, no índice. A numeração do livro neste caso, depende muito do tipo de fonte que o leitor está usando e a orientação da tela do aparelho. O que pode ajudar o leitor a não se perder, na hora da leitura, são os marcadores de páginas (bookmakers). Outra ajuda, é que toda vez que o leitor desliga o aparelho e depois o liga novamente, o livro volta exatamente na página onde ele havia parado de ler (um comando chamado Previous Location). Isto ocorre porque os eBooks trazem memórias que guardam as informações de como o leitor estava utilizando o aparelho. Por exemplo, o leitor poderia estar com o BackLight (ajuste de luminosidade) padrão, e utilizando a opção Large Print, onde as fontes do textos são mostradas bem maiores que o normal para as pessoas que gostam de letras grandes. Quando o leitor desligar o aparelho e liga-lo novamente, estas opções estarão lá, da forma como o leitor configurou.

 

Quando o leitor escolher a opção de LargePrint, é claro que o texto correrá pelo documento e fará com que fique bem maior. Os textos com menos de 49 páginas, como proposta pela MS Enciclopédia como sendo um motivo para forma de fato um livro, também poderão ser lidos no aparelho, porque o ele foi exatamente desenvolvido para ler qualquer tipo de documentos, relatórios, sinopses, contos, poesias, artigos etc. Qualquer tipo de pensamento humano utilizando-se da escrita, do som, e da imagens.

 

Estes são alguns exemplos simples e pequenos, sobre as mudanças na leitura de um livro, mas que são considerados primordiais pelos fabricantes de eBooks, que tentam deixar o aparelho não próximo ao livro tradicional de papel, mas com vantagens competitivas. 

 

O que faz de um livro um livro, é principalmente o seu conteúdo e a forma como ele se apresenta, com capa, mensagens de contracapa e orelhas, índices, sumários, apêndices, capítulos, anexos, corpo de texto, seções de textos específicos, anotações, notas de rodapé, numeração de páginas etc. O Microsoft Reader, por exemplo, desenvolveu uma forma bem inteligente de utilizar as lombadas ou dorso dos livros no formato figital. Todos os itens citados, no entanto, fazem de um documento, um livro. E os eBooks podem trazer estes componentes.

 

A tecnologia fez o livro evoluir, mas se um conteúdo estiver na Web, no papel, no micro ou em um dispositivo eletrônico, e estiver com os itens acima, ele será um objeto chamado livro.

 

No entanto, se as pessoas não absorverem estes conceitos e acharem que uma maquininha contendo textos de Edgar Allan Poe não é um livro, aí sim o livro terá morrido. No futuro leremos nossos romances em eBooks, na Web no micro, em tinta ou papel eletrônico, em hologramas, e não mais em árvores cortadas e "entintadas". Mas isto é apenas uma mudança de suporte, ou mídia ou o nome que queiram dar.

 

Não estamos tentando esboçar pretensões sobre o mercado de eBooks, se a coisa vai pegar ou não. Na verdade, nossa pauta recai sobre o novo formato do livro. E é inegável que isto já tenha acontecido. Pseudo-especialistas dizem, sem nenhuma pesquisa adulta, que vai demorar muito para que a Revolução transforme de vez o modo de se vender livros. Pode ser, mas o que estamos tratando aqui são as tendências que levarão ao livro do futuro. O livro hoje é assim, ele pode ser lido no papel e no computador ou num dispositivo móvel. Amanhã, nem as pesquisa poderão precisar. Não sabemos ainda. Quem sabe não estamos mais próximos do holograma do que da tinta eletrônica.

 

Para respostas mais abrangentes, perguntas simples são necessárias:

 

  • Que formato (digital) o livro terá?

 

O formato eletrônico para a geração e processamento de conteúdo dos eBooks, certamente se dará através da HTML 4.0, da XML 1.0 e das suas ramificações futuras como a XHTML 1.0 e a especificação OEB ou ONIX.

 

O importante, no entanto, é que todos os títulos disponíveis a partir de agora sejam compatíveis com os aparelhos dedicados à leitura, para que haja um mercado potencial para eles. A compatibilidade é importante porque, quanto mais títulos disponíveis, mais valiosos serão os eBooks para o consumidor. Isto ajudará que os eBooks tenham um nível alto de popularidade e, conseqüentemente, as suas vendas aumentem.

 

  • Em que aparelho (suporte) ele será lido?

 

Em termos de formato dos aparelhos teremos uma resposta tanto do público dependendo de sua procura e de seu gosto, quanto de órgãos especializados em padronização de tecnologias emergentes. Como o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos que está tentando trabalhar a padronização dos sistemas de textos e das tecnologias dos aparelhos, para que se evite a briga que houve entre os sistemas VHS e Beta (de vídeo) no final da década de 1970 e começo da década de 1980.

 

Temos uma briga interessante neste estilo acontecendo entre a plataforma PalmOS e o Pocket PC. Mas temos também Reading Devices (como o eBookMan da Franklin, o CyBOOK da Cytale, o ReB 1100 da RCA etc) e a promessa não muito longa da e-ink (tinta eletrônica) e do papel eletrônico.

 

São todos projetos tecnológicos que representam uma interessante tendência no futuro da leitura. E nos anima um pouco – como fã de ficção científica que somos, em citar o sistema de holograma que também arrasta uma gama enorme de possibilidades neste campo, com um sistema criado a partir de imagens fotográficas tridimensionais.

 

  • Como a indústria controlará a reprodução desses arquivos?

 

Os critérios são muitos (e tecnologia para trabalhar a segurança, como o Digital Rights Management, existe), mas o que temos a fazer é encontrar uma maneira mais simples através da educação e da conscientização. As empresas podem perder tempo e dinheiro investindo em tecnologias para aperfeiçoar a segurança das obras, mas sabemos que sempre vamos esbarrar na questão da confiança e da honestidade. Duas coisas bem esquecidas na era da informação automática.

 

Precisavamos encontrar maneiras mais simples de compor e disponibilizar um livro para o leitor. Hoje, a Revolução dos eBooks propõe isto.

 

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