O
Futuro do Papel
na
Era da Internet*
A
impressão nunca teve um adversário de fato. Desde sua invenção há 550 anos
e ao longo da Renascença e da Reforma, da era industrial e da informação,
difundida por canais alternativos tais como o rádio, o cinema, a televisão, e
até mesmo as redes de computadores, a comunicação por meio do papel tem
sempre dominado nossa sociedade e nossa cultura.
Isto,
até recentemente. O concorrente da impressão surgiu de maneira discreta, como
uma relação entre as forças armadas e a academia, para logo envolver parcelas
cada vez maiores da sociedade com seus tentáculos eletrônicos. A utilização
do correio eletrônico "explodiu" e a forma original de do ambiente
hipertextual World Wide Web (Rede Mundial) floresceu em cores, fotos, gráficos
e animações com o lançamento do navegador (browser) no mercado, em 1994.
Praticamente de um dia para o outro milhões de pessoas conectaram-se à
Internet para se comunicar, trabalhar, comprar, aprender, e se divertir.
Finalmente a impressão encontrara um adversário de peso.
Não
resta dúvida de que a Internet vem transformando a maneira como trabalhamos e
fazemos negócios. Trata-se da pesonificação da era digital onde livros,
jornais, revistas, e outros meios eletrônicos nos forçam a repensar de que
maneira funcionaremos na era "eletrônica" da tecnologia.
DEFININDO
A IMPRESSÃO
Para
avaliar o efeito desses novos meios de comunicação sobre o papel, a EDSF
- Eletronic Document Systems Foudation (Fundação de Sistemas de Documentos
Eletrônicos) - patrocinou um importante programa de pesquisa intitulado "Printing
in the Age of the Web & Beyond", com o objetivo de olhar para além do
horizonte e prever o futuro da impressão. Nesse sentido, definir a impressão
foi o primeiro problema encontrado. Para muitos, impressão denota um produto
específico, como por exemplo livro ou jornais. O estudo da EDSF examina cerca
de 100 tipos de produtos gráficos distribuídos em categorias, desde de livros
e jornais até documentos impressos - ou seja, tudo que é reproduzido em
substrato de papel. Parte do princípio que a compreensão tanto de cada um dos
componentes da impressão - especialmente tendo-se em vista que cada um tem um
"futuro" e um cenário diferente -, como da totalidade desses
componentes deve oferecer uma visão do amahã.
Por
exemplo, os jornais são propícios à edição e seu imediatismo, o mesmo não
ocorre com embalagens (...). Caso relacionemos os livros com a impressão, por
exemplo, e virmos a aventura da publicação cibernética empreendida por
Stephen King como tendo reduzido a necessidade de livros impressos, então
podemos concluir que todos os produtos gráficos podem ser reduzidos.
A
era da impressão começou há pouco 500 anos: em 1438, com
Johannes Gutemberg.
Foram necessários longas décadas para superar o lobby de monges, de
monastérios e de pequenas oficinas comerciais que faziam o trabalho à mão.
Bastou um século - cem anos! - e já havia gráficas em quase todas as
grandes cidades européias. Mais de 200 anos e foi inventado o offset (1739),
e, após, outros 200 anos, a primeira máquina Xerox (1938).
DIVULGANDO
INFORMAÇÕES
Ao
tentar quantificar o volume de informações e conhecimento disponível nas
formas impressa e eletrônica, o estudo buscou compreender a interrelação
entre ambas. Na virada do século passado, a impressão provia a base para o
ensino, informações, entretenimento e negócios. Até 1995, nossas vidas ainda
revolviam em redor da impressão, embora a televisão, as telecomunicações, e
os computadores viessem usurpando o monopólio de informação exercido pela
mídia impressa. Até o ano de 2020, a impressão terá sua função diminuída.

(...)
A
IMAGEM DA IMPRESSÃO
Quando
perguntamos a um grupo heterogêneo de 2.232 indivíduos sua opinião sobre o
futuro da impressão, pedimos que eles projetassem a realidade de novas
gerações, que não a deles, no futuro. Eis o resultado:
Na
opinião da maior parte das pessoas, não haverá diminuição significativa do
volume de impressão até meados deste século. Entretanto, tomando por base o
uso do computador, televisão, telefonia celular e Internet como metáforas das
novas formas de comunicação, elas prevêem que a preferência das gerações
futuras será pela tela, e não pela página impressa. No prazo de três
gerações após a dos chamados "babyboomers" do pós-guerra, que
inventaram a era da informação, os substitutos eletrônicos do papel farão
parte da rotina das crianças. Elas finalmente terão implantado o paperless
office - o escritório "sem papel", sem documentos impressos - cem
anos após sua conceituação.
AS
MUDANÇAS NA IMPRESSÃO
Num
futuro previsível, pontos de inflexão trarão mudanças diferentes para
categorias de produtos gráficos diferentes. Eis as alterações em volume e
outras características que possivelmente afetarão as principais categorias
gráficas nas próximas duas décadas:
PERIÓDICOS:
redução de 20 por cento. As revistas e
boletins perderão parte da demanda por espaço publicitário. Uma vez que as
páginas dos periódicos dependem desta receita, a perda de uma página de
anúncio corresponde à perda de uma página de conteúdo editorial. Como
conseqüência da realocação dos recursos de promoção para incluir a
Internet, haverá uma diminuição no número de páginas os periódicos.
JORNAIS:
redução de 30 por cento. Os jornais
sofrerão um impacto significativo. Eles estão ameaçados pela Internet em
termos de imediatismo, abrangência (o espaço de um jornal impresso é
limitado) e publicidade. Hoje a rede já figura como importante canal para
divulgação de anúncios classificados.
LIVROS:
redução de 18 por cento. A maior
tendência na edição de livros será a publicação por encomenda,
literalmente um a um. Os
livros eletrônicos não constituirão ameaça até
2020, mas gradualmente mas indivíduos disponibilizarão mais livros na
Internet. Esses livros serão impressos por encomenda (Print on Demand),
provavelmente em livrarias.
GUIAS
DE REFERÊNCIA: Os guias de referência
serão severamente afetados com a mudança de seus concetúdos para a rede. As
ferramentas de busca e recuperação fazem dados de referência os principais
candidatos a aplicações eletrônicas.
JURÍDICO
E FINANCEIRO: redução de
30 por cento. Por lei, grande parte das informações produzidas por empresas
públicas deve estar disponibilizada em mídia eletrônica; entretanto, o
aspecto promocional do material manterá a viabilidade de sua impressão.
DOCUMENTAÇÃO
TÉCNICA: redução de 26 por cento. A maior
parte da documentação técnica de documentação técnica será transferida
pela rede para os discos dos computadores, exceto os manuais de instruções
que acompanham eletroeletrônicos, de aparelhos de televisão a lavadoras de
roupas.
PAPELARIA:
redução de 66 por cento. Bilhetes
manuscritos vêm perdendo terreno para mensagens eletrônicas digitadas. A
transferência de dados por raio infra-vermelho entre equipamentos PDA também
deverá crescer. Por fim, fotos, vídeo e áudio digitais deverão suplantar a
mensagem de texto.
FORMULÁRIOS:
redução de 75 por cento. A impressão
de formulários em papel tende a diminuir sensivelmente à medida que são
substituídos por transações eletrônicas. Por algum tempo, estas terão
cópias de segurança impressas; por fim, o nível de confiança na tecnologia
eliminará a necessidade de papel.
(...)
A
IMPRESSÃO COMO TEMA EMOCIONAL
O
tema do futuro da impressão mexe com as emoções toda vez que vem à tona.
Aprendemos que as pessoas gostavam muito de livros, assim como nós também
gostamos. Tivemos 550 anos para nos acostumarmos com eles. Porém, se a Internet
houvesse inventado a impressão em nossos dias, será que nos sentiríamos com
relação ao mundo eletrônico da mesma maneira que nos sentimos diante do mundo
do papel?
O
tempo e a tecnologia operam grandes transformações. Para cada aspecto negativo
sobre um concorrente da impressão podemos projetar novos desenvolvimentos que o
tornarão positivo. Se hoje as telas são muito grandes, volumosas e ilegíveis,
podemos prever avanços tecnológicos que as tornarão menores, mais planas,
Mais resistentes, e com qualidade que virtualmente se equipara ao papel.
Computadores, bandas largas, reconhecimento de voz, equipamentos sem fio, e
tecnologia de armazenamento de dados serão aglutinados e transformados nas
novas ferramentas de construção do futuro. Com o tempo, os concorrentes dos
produtos gráficos (como os eBooks) não serão vendidos através de canais
especializados; eles serão popularizados e disponibilizados como um novo
departamento da Wal-Mart.
Em
março de 200, aconteceu o primeiro grande lançamentoo editorial disponível
só na Internet: "Rinding the Bullet", de
Stephen King, pela editora
Simon & Schuster. Em poucos dias, mais de 500.000 leitores fizeram o
download do livro por US$ 2,50. Seria o início do "Paperless Society"?
Franck Romano, afirma que a tecnologia implicou mudanças na forma como a
informação é produzida, distribuída e consumida
A
maioria de vocês que lêem isto depois da virada do segundo milênio verão
poucas mudanças na impressão. Serão as gerações futuras que criarão um
admirável mundo novo onde o papel e o pixel possam co-existir em agitada
harmonia.
Fonte: Adaptado do artigo publicado em Imagix News - Março de 2001 páginas 6 a 9 -,
entitulado "A IMPRESSÃO ALÉM DA ERA DA INTERNET" de Frank
Romano. Diretor de artes Gráficas do Instituto de Tecnologia de Rochester (Nova
York), Romano foi o principal pesquisador da EDSF (Eletronic Document Systems Foudation - Fundação de Sistemas de Documentos Eletrônicos) no estudo sobre o futuro da
impressão.