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Riding the Bullet

King e os eBooks

 

O norte americano Stephen King, um dos maiores mestres das histórias de suspense, ficção e terror autor de mais de trinta best sellers, entre eles O Iluminado [ 1977 ], Depois da Meia-noite [ 1990 ], Eclipse Total [ 1992 ], Jogo Perigoso [ 1993 ] e Insônia [ 1994 ] foi o primeiro escritor de sucesso a disponibilizar, na grande rede, um livro apenas no formato digital, ou seja, você não poderia encontra-lo impresso numa livraria. Foi o começo do maior retorno positivo em torno do livro eletrônico ou do livro digital, como queiram.

 

Antes disso, os editores e envolvidos com a questão livreira, e até o público, de uma forma geral, pouco sabia sobre a questão do livro eletrônico, alguns sequer tinham ouvido falar sobre. A questão veio à mídia por meio do livro de Stephen King.

 

King foi um verdadeiro desbravador de fronteiras quando lançou de forma inédita o primeiro livro comercializado exclusivamente via Internet. Num momento em que o governo americano lutava incessantemente contra os crackers [ os piratas da rede ], o livro sob o título de Riding the Bullet [ algo como “Montando na Bala” ], causou um reboliço na rede e fez aumentar de vez o olhar do grande público para os livros eletrônicos [ conhecidos mundialmente como eBooks, de "eletronics books" ].

   

Stephen King
Stephen King


Em junho de 1999, King foi atropelado quando passeava nas proximidades de sua casa em Bangor, no Estado de Maine. Teve vários ossos quebrados, um pulmão perfurado e ferimentos na cabeça. Riding the Bullet, foi escrito enquanto King se convalescia e recuperava-se deste atropelamento. 

 

Com cerca de 16.000 palavras, se fosse impresso, o livro teria 66 páginas. Uma novelinha um pouco maior que um conto e menor que um romance. Tratava-se de uma literatura de terror e contava a história de um estudante que ficara sabendo que sua mãe sofrera um derrame e estaria hospitalizada perto da universidade onde estudava [ cerca de 200 km dali ]. O jovem vai para a estrada pedir carona e se mete em apuros. As obras de King sempre trouxeram esse suspense e, esta, em particular, não era tão chamativa. Acontece que ela encerrava um encanto e entrava para a história da Internet.

 

Riding the Bullet poderia ser baixado dos servidores da Simon and Schuster, editora de King em Nova York, pelo preço médio de U$2,50, por meio de cartão de crédito. Os servidores do site ficaram congestionados em função dos milhares de internautas de todo o mundo interessado no novo best sellers que nascia. Em apenas num final de semana, naquele mês de março, foram vendidos de cerca de 500 mil cópias do livro.

 

A "Conexão Suíça"

 

Mas nem tudo foi flores. Embora o resultado tenha sido surpreendente [ visto que a tecnologia que armazenava um livro inteiro em apenas um arquivo, ainda fosse suscetível à pirataria ], King teve sua obra copiada ilegalmente por crackers três dias após o seu lançamento. Quando o livro foi lançado, no dia 14 de março, os leitores podiam fazer o download gratuitamente. Depois é que começou a ser cobrado pela obra. Mesmo assim, os crackers conseguiram baixar o livro sem pagar nada e colocar cópias em outros sites, em alguns newsgroups, e até imprimi-los sem permissão. Este era o outro lado da moeda: a questão da cópia pirata e dos direitos autorais. A Glassbook, empresa responsável, na época, pela distribuição da obra, e que usava uma tecnologia nova e um tanto vulnerável chamada EBX [ Eletronic Book eXchange ], teve que reagir e planejar novas tecnologias junto a Adobe Systems, criadora do formato PDF [ Portable Document Format), para impedir a violação e desenvolver, naquele momento, um formato mais seguro. "Riding the Bullet" havia sido publicado com um PDF encripturado de 40-bits.

 

Foi quando as empresas envolvidas com aplicativos e softwares de comércio para distribuição de livros eletrônicos via Internet, puseram a mão na massa e mostraram suas soluções para este problema. Foram mostradas diversas soluções, cada uma com uma especialidade. Entre elas o ContentGuard, um projeto das empresas Xerox e Microsoft. Surgia então o DRM [ Digital Rights Management, ou Gerenciamento de Direitos Autorais ].

 

Quando o upgrade de segurança para o site ficou pronto, e o livro de King não podia mais ser copiado tão facilmente, graças ao novo sistema de criptografia então chamado Merchant, criado pela Adobe, o sucesso dos eBooks era ainda maior.

 

Empolgado com tanto sucesso, e com a forma com que os livros eletrônicos estavam sendo tratados pela Microsoft, Adobe e Glassbook, Stephen King pensou em colocar à venda um novo livro virtual. Dessa vez, seria publicado um romance em série:

 

The Plant - Stephen King

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