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Clonagem

Existe um outro tipo de pirataria, e deste o CD de música é a maior vítima, em que o produto é clonado e vendido ilegalmente por outros canais que não os convencionais: o mercado negro.

Acessar um original de MP3 qualquer, por exemplo, permitiu cópias com facilidades absolutas, uma vez que as gravadoras e o mercado fonográfico não estavam acompanhando a tecnologia que se desenvolvia para o seu produto. E muitas vezes se esquivaram das transformações sócio-culturais em torno do consumo do universo musical.

No caso de livros eletrônicos, pode ser que se clone uma obra qualquer e que se venda esta obra ilegalmente na própria Internet ou mesmo em banca de camelôs no centro da cidade. Esta duplicagem do arquivo do livro muitas vezes é simples. Existem maneiras de coibir ou intimidar estes procedimento sim. Talvez o pirata tenha até que digitar a obra novamente, ou imprimi-la e fazer um novo OCR, porque da mesma forma que é possível no Adobe Acrobat, por exemplo, restringir a mudança de um documento, é possível também não permitir a seleção de um texto, como fazemos quando utilizamos o comando “Copy/Paste” ou “Colar/Copiar”. Nestes casos, o cracker disposto a fazer a cópia do livro terá que criar um novo produto partindo do zero ou utilizar o software de U$100,00 criado pelo russo Dmitry, mas o cracker sabe que isto não é inteligente. É preciso analisar o contexto histórico pela qual passamos: é vantajoso para alguém ter todo este trabalho? E o custo/benefício? A procura por estes livros será mesmo grande? Pagará o tempo perdido na pirataria como acontece com os CDs? E o leitor honesto, interessado em pagar pela obra e não compartilha-la na Web?

Embora a própria tecnologia ajude na clonagem, é difícil conseguir vender cópias ilegais, sem que em pouco tempo não seja pego. A Internet pode não ter dono, como dizem os "preocupados", mas as provedoras de hospedagem de sites que abrigam produtos ilegais têm. Será fácil para os órgãos competentes acharem esta fonte que distribui livros ilegais e fecha-la em algumas horas. No modelo convencional, isto também é possível, porém é mais fácil achar um falsário na Internet do que limpar todas as banquinhas do centro da cidade que vendem CD’s piratas. O cracker querendo ou não, tem um e-mail, uma URL, um rastro. Mas existe também a possibilidade dos eBooks irem parar num servidor remoto que todos, através de um programa igual ao Naspter, posssam acessar e, aí, seria impossível o controle.

Tudo é possível, mas o qe temos que perceber são as mudanças comportamentais na "Era do Conhecimento", não podemos tratar todos os internautas como criminosos anônimos. A questão não é tecnológica é social, tem a ver com a condição humana. Não adianta criptografia, senha de 124 bits, não adianta prender os programadores de softwares que liberam os eBooks das amarras dos códigos proprietários.

A reprodução não autorizada, pelo menos em nível de “Copy/Paste”, não vai ser fácil pro cracker, verdade, vai atrapahar sua ação, mas vai atrapalhar ainda mais o estudante e o leitor honesto. É possível que alguém use de má fé e resolva digitar ou escanear um documento protegido intelectualmente e resolva distribui-lo por conta própria, mas o custo é bem grande e demanda tempo, coragem e esperteza o bastante para não ser pego na rede. O máximo que o pirata poderá fazer é dar um “PrintScreen” no documento e sorrateiramente duplica-lo, mas o resultado será apenas uma imagem do original e portanto não poderá ser vendido, porque como sabemos as imagens são pesadas o que torna impraticável o seu trafego pela rede.

Mas a questão efetivamente não é esta. Quanto dinheiro e tempo está sendo gasto com a preocupação com a segurança dos eBooks, e quanto negócios poderiam ser gerados para a própria ascensão do mercado dos eBooks com esta mesma verba?

Podemos coibir a ação de pirataria em torno dos eBooks, mas será que vai adiantar? Será que a questão não é mesmo cultural que envolve o bom sendo de eEditores?

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